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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento 2 - Pizzaria.

E mais uma história com nosso herói com problemas intestinais favoritos!
(Desculpem a ausência, explico o por que na próxima postagem.).

As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento 2 - Pizzaria.

Parte I

Sexta-feira. Dia de farra. Resolvemos ir a uma pizzaria. Às 8:00 da noite saímos Bulk, Beto, Rodrigo, Júnior, Osmar e eu.
-Ô garçom, desce pizza aqui! – disse Bulk exasperado.
-Pois não senhor. Temos de mussarela, presunto, tomate seco e calabresa. Qual o senhor quer?
-Todos. Ah, a lingüiça... ela está inteira?
-Infelizmente não, senhor. – respondeu o garçom, espantado pelo enorme apetite e estranho gosto por lingüiças de meu amigo.
-Então pega uma inteira lá pra mim! – disse Bulk, lambendo maliciosamente os beiços.
Lá pelo 23° pedaço de pizza (e oitava ou nona calabresa), uma nuvem de gases letais, semelhante àquela do ponto de ônibus, foi expelida por Bulk de modo deveras sonoro. No instante em que notaram tal fato, o casal de filhos de uma feliz família, com uma expressão assustada no rosto, perguntaram em uníssono:
-O quê... o quê foi isso, pai? Pai? PAI!!!
O pai da família (de nome Ernesto, se não me engano) havia desmaiado, envenenado pelos vapores intestinais de meu amigo. Mais do que depressa, foi levado ao hospital.
-Pô Bulk, vê se pega leve com essa tua bunda gorda – reclamou Humberto.
-A culpa é de vocês! Se vocês não tivessem prendido a respiração e cheirado a parte de vocês, ele não tinha recebido uma sobrecarga. – retrucou Bulk.
-Teria. – disse.
-O quê?
-Ele não “tinha” recebido, ele “teria” recebido.
-Ahn... tanto faz. Vou cagar.
Após o flatulento incidente, duas outras famílias, além da envolvida, haviam se retirado da pizzaria, mas, ainda assim, o estabelecimento continuava bem cheio.
Ao chegar na porta do banheiro, ele encontrou um daqueles caras que ficam na porta dos banheiros, pra dar a chave.
-Ô chefe, dá a chave aí, por favor.
Furioso com nosso herói pelo papelão que fez, e notando também sua angústia e desespero crescentes, ele resolveu pregar-lhe uma peça que julgou ser inofensiva: deu a chave errada a ele.
Desesperado, tentando abrir a porta o mais rápido possível, inconscientemente Bulk relaxa o sfincter e outro flato escapa de seu imenso anus, digo, séculus. Consciente do mac que havia liberado, o rapaz deu a chave certa ao garoto, contudo, já era tarde demais: outras cinco famílias haviam ido embora, assustadas pelas paredes e vidraças que tremeram, trincaram e quebraram pela ribombante e gutural flatulência emitida por nosso amigo.
Já dentro do banheiro, Bulk sentiu-se em casa, e com rapidez quase sobre-humana, despiu-se das calças e da cueca, sentou-se no vaso e começou a obrar, com um urro assustador de alívio, que ecoou pelo estreito corredor que levava ao banheiro e inundou o salão:
-Ahhhhhhhhhhhhhhhh!


---

Parte II

O grotesco urro que inundou o salão terminou o serviço que a estrondosa flatulência havia iniciado: expulsar as pobres famílias que vieram atrás de um pouco de diversão e tranqüilidade. Todas as mesas estavam desertas, exceto por uma, ao fundo, ocupada por duas solitárias senhoras, sendo que uma delas era a simpática velhinha do referido ponto de ônibus de outro dia. Essa dizia para a outra senhora:
-Está vendo, Olga? Foi esse lazarento que peidou na minha cara outro dia!
-Isso é mesmo uma falta de respeito! – e se retiraram.
Só estávamos nós e os funcionários, e não sabíamos onde enfiar nossas caras. Então, Bulk gritou do banheiro, rompendo o silêncio:
-Caramba! Galera, tem merda aqui para afogar um jumento! Vou ter até que levantar pra cortar a lingüiça marrom.
Quinze longos minutos se passaram, e entre esses quinze minutos, muitos “splash”, ”tchibum”, ”arghhhh” e ”sai espírito das trevas” se ouviram do banheiro, e a cada onomatopéia proferida por nosso amigo, aumentavam os olhares ameaçadores dos funcionários do restaurante em nossa direção.
Quando saiu do banheiro, Bulk estava suado, e aparentava estar ligeiramente mais magro. Jogou a chave para o rapazinho que ficava na porta do banheiro:
-Pega aí, mestre.
O rapaz, ao pegar a chave, notou algo gosmento no chaveiro, e então percebeu que a chave estava recoberta de excremento multicolorido: verde, preto, marrom...
Enojado e desesperançado, o rapaz limpou a mão, pegou luvas, balde, vassoura e sabão para limpar a sujeira que meu amigo havia causado.
Simultaneamente, Bulk voltava à mesa:
-Ué, cadê o pessoal que tava aqui?
-Foram embora com medo de serem tragados pelo seu buraco negro. – explicou Rodrigo. Enquanto ríamos de Bulk, ele gritava ao garçom:
-Cadê a pizza garçom?

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Parte III

Após uma pequena prece, o rapaz toma coragem e entra no banheiro, e quando vê o estrago causado por nosso herói, pudemos ouvir sua voz espantada, apavorada, enojada e desanimada dizer:
-Santo Deus! O que... o que é isso?
Não sabemos o que havia lá, nos faltava coragem para ir até lá e olhar; perguntamos então ao autor o que era, mas Bulk respondeu com indiferença, enquanto comia seu 31° pedaço de pizza:
-Ah, isso é frescura daquele maricas, a privada deve ter sujado um pouco, sei lá!
Pouquíssimo tempo passou-se, e o rapaz voltou do reservado com uma feição de extremo cansaço e um olhar avassalador de fúria incontida. Seu uniforme estava todo respingado de cocô! Quando passou por Bulk, lançou-lhe um olhar de gelar o sangue, e sibilou com toda a raiva contida em seu peito:
-Tú tá fudido, moleque!
Aquilo foi demais. Ao invés de passar direto, no máximo lançar um olhar de reprovação, dizer “Tú tá fudido, moleque!”, deve significar que realmente, Bulk cometera uma desonra e uma afronta sem tamanho aquele rapaz, e, como diria Faustão “Tanto no pessoal como no profissional”.
O mais impressionante foi que Bulk ouviu aquilo e apenas deu de ombros, como se dissesse: “tanto faz!”; e continuou comendo. Foi enquanto comentávamos o fato que ouvimos o rapaz dizer ao gerente:
-Me demito! Você faz idéia do que eu enfrentei lá dentro? Faz? Faz idéia do que aquele garoto foi capaz de fazer? Faz? – e em meio a lágrimas, completou: - Não agüento. Tô fora!
Passou-se pouco mais de três minutos quando o gerente veio ter conosco:
-Fora. Não precisa pagara nada, mas vão embora do meu restaurante, nesse momento. Minha freguesia já foi todinha embora, já notaram? Por favor, vão embora.
Com um rápido movimento, Bulk tirou do bolso uma sacola amarela de supermercado e falou seriamente:
-Quero as bordas.
-Que bordas, garoto?
-As bordas das pizzas que vocês tiram das mesas.
Rubro como uma pimenta, o gerente explode:
-FORAAAAAAAAA! – e desatou a chorar.
Fomos embora muito culpados: pela demissão do funcionário, pelo prejuízo que Bulk causou, tanto pelo banheiro como pelo êxodo dos clientes, por fazer o gerente chorar, enfim: por tudo. Íamos com isso em nossas cabeças, quando nosso pensamento coletivo foi cortado por Bulk, em meio às latas de lixo da pizzaria, gritando euforicamente:
-Olha pessoal, achei as bordas!



Paulo Oliveira - As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento 2 - Pizzaria.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento.

Há algum tempo sem postar... vamos por uma pitada de humor nisso?
Essa é quase uma parábola bíblica, nos mostra a sabedoria dos idosos e o desrespeito da juventude criada em apartamento, à vitamina de leite com pêra e docinhos caramelados da vovózinha.


As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento – A velhinha do ponto.


Bulk, Beto, Rodrigo, Osmar e eu esperávamos no ponto de ônibus da Avenida Ana Costa o circular 10. Ao nosso lado, uma pacata e veneranda anciã, já entrando, talvez, em sua nona década de vida. A velinha era calma e simpática, portava uma bela bengala de ébano e não media mais do que 1 metro e quarenta, devido à sua avançada idade. Enquanto eu observava aquele pequeno e frágil monumento da experiência e sabedoria dos idosos, o seguinte diálogo era travado entre meus amigos:

-Essa merda desse ônibus não chega. Quero chegar em casa logo pra poder cagar! – reclamava Bulk.

-Olha a senhora aí do teu lado, sua bicha! – disse Rodrigo.

-É, seu cagão, e se tu peidar aqui, a gente vai te bater! – completou Osmar. Beto limitava-se a rir. Foi nessa hora que aconteceu! Uma obscura reação química, sem precedentes históricos iniciou-se nas profundas trevas da região anal, digo, secular, de Bulk.

Gases tóxicos acumularam-se em uma densa nuvem, escura e pestilenta como uma praga bíblica. Notei a expressão de total desconforto e terror extremo no rosto de meu amigo:

-Tu tá legal, Bulk?!? – perguntei, embora já soubesse a resposta.

-Paulo, foi mal cara, mas não dá pra segurar não! – e levantando sua perna direita (a que estava do lado da velhinha) ele soltou um sonoro e malcheiroso “flato”. Então, do alto de sua sabedoria quase centenária, a senhora limitou-se a olhá-lo, erguendo seu rosto, antes simpático, agora com uma pétrea expressão de nojo e medo na direção de nosso herói com problemas intestinais, e proferir três palavras que comprovaram toda a sabedoria que eu achava que ela tivesse. Com sua voz trêmula, e seus olhos fixos nos de Bulk, ela disse:

-Filho da puta!

E se retirou do ponto o mais rápido possível, comprovando o quanto era esperta, bem mais do que todos nós juntos.



As Peripécias do Legendário Bulk Flatulento - Paulo Oliveira