Hoje eu acordei e vi que fazia algum tempo que eu não postava, e quando peguei o ônibus e vim pra cá, vi uma moça muito bonita no ônibus. Muito bonita mesmo (nem preciso dizer que era ruiva, não?).
E me lembrei desse texto que escrevi há uns 4 ou 5 anos atrás.
Não era pra moça do ônibus, claro que não, era pra outra pessoa, que na época, eu enxergava com uma beleza ainda maior que a da primeira.
Vários amigos meus estavam lá, possivelmente todos, e o que era ainda melhor (pelo menos pra mim) é que iam tocar valsa, a única música que eu sei dançar. É meio careta, mas é gostoso de se dançar com quem se gosta. Enquanto eu pensava nisso, ela se aproximou e me perguntou:
-Quando tocar a valsa, você dança comigo?-aquele pedido foi o mais doce som que eu já havia escutado, e devo ter ficado meio atordoado, porque ela me chamou pelo menos umas três vezes até eu conseguir gaguejar a resposta:
-Cla... Claro que sim!
-Tá bom então.
-Tá bom...
Eu continuei andando pela festa, encontrando e conversando com amigos, até que eu encontrei dois amigos e uma amiga que eu já não via há algum tempo, sentados em uma mesa, conversando com ela. Resolvi me juntar ao grupo, já que o papo parecia animado. Não me lembro sobre o que conversávamos, os assuntos variavam, mas essa amiga minha me disse algo, no mínimo, inesperado:
-Você sabia que eu já gostei de você?
-Não sabia não...quando foi isso?
-Quando a gente tinha uns 15 anos.
-Ah...-respondi, surpreso, mas desinteressado, e já querendo encerrar a conversa, que não me agradava, mas ela continuou:
-Você sabia que eu ainda gosto de você?-isso sim era surpreendente!
Nesse momento, ela se levantou e correu para dentro da casa.
-Vocês me dão licença um pouquinho?-falei, já me levantando e correndo para dentro da casa também.
O barulho da música era demais, ainda não estava na hora da valsa. No corredor, um casal vinha em minha direção e entrei em um quarto para dar passagem a eles, que passaram e, quando eu saia do quarto, ouvi um choro abafado, bem baixinho.
Era ela que estava no quarto, embaixo de um cobertor azul, coberta dos pés à cabeça. Me sentei ao seu lado:
-1, 2, 3 você embaixo do cobertor. Agora tá com você...
Ela soltou uma risadinha tímida.
-Eu...meio que fiquei preocupado com você, não entendi bem o que te deu. Você tá legal?
Ela fez que “não” com a cabeça, o rosto coberto.
-Você tá chorando por quê? Tá triste?
Fez que sim com a cabeça.
-É comigo?
Não era. Nessa hora, a valsa começou a tocar.
-Já que você me pediu e eu prometi, vou ter que cumprir. Vem. Dança comigo.
Peguei sua mão e ela se levantou. Eu a abracei e começamos a dançar.
-Você quer falar sobre o que te deixou triste?-perguntei, e a resposta foi negativa. Continuamos dançando, juntos e em silêncio. Eu podia ouvir e sentir sua respiração, e eu me sentia o cara mais feliz do planeta. Quando a música acabou, eu disse:
-Acho que agora você prefere ficar sozinha, né?!? Olha, quando você quiser conversar sobre o que te deixou triste, ou falar sobre qualquer outra coisa, pode contar comigo, tá bom?
Quando estava saindo, ela pôs a mão no meu ombro, e ela era suave, leve, como seda.
-Espera, -ela disse- eu....te conto o que me deixou triste.
Sentamos no sofá, ela ainda embaixo do cobertor, mas agora com o rosto um pouco mais erguido, e pude ver que estava úmido e rosado pelo choro e pelas lágrimas.
-Eu fiquei triste pelo que a sua amiga disse...
-Ela falou alguma coisa que você não gostou?
Ela fez que “sim” com a cabeça, e o rosto baixou de novo.
-O que ela te disse? – eu perguntei.
-Ela falou que gosta de você.
-É, mas...como assim?
-É que – ela ergueu de novo o rosto, com o mais lindo sorriso que eu já havia visto – eu também gosto de você!
Senti meu coração bater na garganta e minhas mãos suarem.
-Você gosta de mim? – ela perguntou com a voz vacilante. Só pude responder que sim com a cabeça, as palavras não saiam, talvez pelo coração, que eu ainda sentia bater na garganta.
-Desde quando? – ela perguntou, sorrindo.
-Desde sempre! – respondi com os olhos marejados, vendo lágrimas nos olhos dela também.
Suas mãos, buscando segurança, encontraram as minhas, também trêmulas de emoção. Nossos olhos se fecharam ao mesmo tempo, e nossos lábios ficavam cada vez mais próximos. A valsa recomeçou a tocar, e recomeçamos a dançar enquanto nossos lábios se aproximavam...
E foi então que eu acordei, e decidi contar esse sonho a ela. Nesse dia, eu descobri que sonhar é bom, mas viver na pele é ainda melhor.
