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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Solteiro.

Bom, eu postaria esse textinho no dia 14, mas como será num sábado, e eu não costumo "frequentar" a internet no sábado, postarei hoje mesmo.
Hoje é terça feira, está fazendo um solzinho bacana aqui em Santos, e, nos últimos dias, uma frágil esperança, que estava quase quase morrendo, renasceu, mais forte do que antes.
Fernando Sabino já disse isso, e sei que não adiciono peso nenhum na sua colocação, mas mesmo assim, repito e tenho mais certeza que nunca de que "No fim, tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim"



Você, leitor, que é sério, moderno, culto e antenado, sabe que é hoje , dia 12 de junho, é o esperado e cultuado (e por vezes, e por muitos principalmente, temido e odiado) Dia dos Namorados. Você sabe também, claro, que o Brasil é o único país do mundo que comemora essa data hoje, apenas para satisfação e salvação de lojistas brasileiros, porque no Brasil, terra do futebol, carnaval, cachaça e bunda, o ano só começa depois do Carnaval (isso quando não é ano de Copa do Mundo!), e a data de 14 de fevereiro, dia de São Valentino, que mesmo contra a vontade do governo e da igreja casava casais clandestinamente, e por isso foi mutilado, torturado e morto (não necessariamente nessa mesma ordem), seria colocada em segundo plano, diminuindo e muito o lucro de floriculturas, bombonieres, lojas de roupas, calçados e perfumarias.


Você, que não tem namorada, e quando os amigos tiram um sarrinho de você, te chamando de “tiozinho”, é daqueles que diz:

“-Eu tô pouco me lixando pra isso, porque blá blá blá...” e desenrola convulsivamente algo parecido com o primeiro parágrafo desse texto, e, pra terminar, ainda diz:

“-E eu não sou como uns otários aí que vão perder um tempão do dia e um bom dinheiro pra comprar presentinho no shopping”

Mas você, leitor, que é sério, moderno, culto e antenado, mesmo dizendo e sabendo disso tudo aí em cima, ainda fica deprimido e suspira, assim como eu e outros e, também como eu e outros, não se importaria em gastar algumas horas de seu dia e nem de gastar uma graninha...

Porque, cá entre nós, é cruel passar o Dia dos Namorados assistindo Sessão da Tarde com a sua mãe...



Solteiro - Paulo Oliveira

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Soneto da Existência.

Eu não me lembro exatamente quem foi que disse isso, pelo menos da primeira vez, mas a história realmente tende a se repetir, não?
E é verdade mesmo! Quantas vezes alguma situação que você já vivenciou, se repetiu?
Mesmo não sendo na mesma ocasião, com as mesmas pessoas, ou no mesmo lugar, o contexto era basicamente o mesmo, não?
Acho que a vida é sempre cheia disso: novidades, que na verdade, são sempre as mesmas coisas, mas com alguma coisinha nova, alguma coisinha melhor, alguma evolução, sendo mais fresca, mais bonita, mais inovadora.
O recheio da vida.
Foi então que resolvi publicar um sonetinho que fiz há algum tempinho.

É a história se repetindo...



Existe alguém

(Eu sei bem quem...)
Que vê além
Do meu sorriso

E desse alguém
(Que eu sei bem quem!)
Manter segredo
É um sacrifício.

Esconder o fogo, a brasa, a chama
Que arde nos olhos
De quem (te) ama

E, desse fogo, não tenha medo
Que eu te amo
Não é segredo...



Soneto da Existência - Paulo Oliveira

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Namorado e a Aranha.

Vou postar um poeminha aqui. Não lembro de ter postado algum poema aqui, aliás, não lembro quando foi a última vez que postei aqui.
Sei que posso muito bem olhar a data da minha última postagem, mas a preguiça me impede, e quero me censurar por estar sendo relapso.



Um namorado, à passeio em seu cavalo

Não notou que em sua cela
habitava uma pequena aranha
embaixo da tira da fivela

Enquanto ia estrada afora,
divagava sobre o amor, como fazia outrora,
antes de conhecer a garota
por quem se apaixonara.
Enquanto isso, a aranha
tranquila em seu ninho, fiava

"-Mas o que será que acontece?"
"Ela me ama ou não? O que será que trama?"
"Vamos cavalo, apeia!"
E a aranha, em seu ninho, ouvindo a prece
pensou consigo, em sua cama:
"-Teia"

"-E agora, o que será que ela faz?"
"São quase nove, o que ela faz antes da ceia?"
"Será que pensa em mim?"
E a aranha pensou consigo: "-Teia"

"-Ah diabos! que duvida que não me deixa!"
"Será que me ama, ou já ficou cheia?"
"O que será que ela quer?"
E a aranha pensou, novamente: "-Teia"

Nisso ele notou
a pequena aranha, já na borda de sua cela
fez uma pergunta, brincando com ela:
"Se sabes o que é o amor, diz-me, matreira!"
E ouviu da aranha, jurou
que uma voz fina lhe disse: "-Teia"



O Namorado e a Aranha - Paulo Oliveira

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma festa sem cuba-libre.

Hoje eu acordei e vi que fazia algum tempo que eu não postava, e quando peguei o ônibus e vim pra cá, vi uma moça muito bonita no ônibus. Muito bonita mesmo (nem preciso dizer que era ruiva, não?).
E me lembrei desse texto que escrevi há uns 4 ou 5 anos atrás.
Não era pra moça do ônibus, claro que não, era pra outra pessoa, que na época, eu enxergava com uma beleza ainda maior que a da primeira.



A festa estava animada, apesar de eu nem saber o motivo da comemoração. O melhor de tudo é que ela estava lá. É, ela, a garota por quem eu me apaixonei assim que a conheci, coisa de seis meses, um ano atrás. Ficamos amigos, eu gosto dela mais do que como um amigo, mas me faltou coragem pra me declarar.

Vários amigos meus estavam lá, possivelmente todos, e o que era ainda melhor (pelo menos pra mim) é que iam tocar valsa, a única música que eu sei dançar. É meio careta, mas é gostoso de se dançar com quem se gosta. Enquanto eu pensava nisso, ela se aproximou e me perguntou:

-Quando tocar a valsa, você dança comigo?-aquele pedido foi o mais doce som que eu já havia escutado, e devo ter ficado meio atordoado, porque ela me chamou pelo menos umas três vezes até eu conseguir gaguejar a resposta:

-Cla... Claro que sim!

-Tá bom então.

-Tá bom...

Eu continuei andando pela festa, encontrando e conversando com amigos, até que eu encontrei dois amigos e uma amiga que eu já não via há algum tempo, sentados em uma mesa, conversando com ela. Resolvi me juntar ao grupo, já que o papo parecia animado. Não me lembro sobre o que conversávamos, os assuntos variavam, mas essa amiga minha me disse algo, no mínimo, inesperado:

-Você sabia que eu já gostei de você?

-Não sabia não...quando foi isso?

-Quando a gente tinha uns 15 anos.

-Ah...-respondi, surpreso, mas desinteressado, e já querendo encerrar a conversa, que não me agradava, mas ela continuou:

-Você sabia que eu ainda gosto de você?-isso sim era surpreendente!
Nesse momento, ela se levantou e correu para dentro da casa.

-Vocês me dão licença um pouquinho?-falei, já me levantando e correndo para dentro da casa também.

O barulho da música era demais, ainda não estava na hora da valsa. No corredor, um casal vinha em minha direção e entrei em um quarto para dar passagem a eles, que passaram e, quando eu saia do quarto, ouvi um choro abafado, bem baixinho.

Era ela que estava no quarto, embaixo de um cobertor azul, coberta dos pés à cabeça. Me sentei ao seu lado:

-1, 2, 3 você embaixo do cobertor. Agora tá com você...

Ela soltou uma risadinha tímida.

-Eu...meio que fiquei preocupado com você, não entendi bem o que te deu. Você tá legal?

Ela fez que “não” com a cabeça, o rosto coberto.

-Você tá chorando por quê? Tá triste?

Fez que sim com a cabeça.

-É comigo?

Não era. Nessa hora, a valsa começou a tocar.

-Já que você me pediu e eu prometi, vou ter que cumprir. Vem. Dança comigo.

Peguei sua mão e ela se levantou. Eu a abracei e começamos a dançar.

-Você quer falar sobre o que te deixou triste?-perguntei, e a resposta foi negativa. Continuamos dançando, juntos e em silêncio. Eu podia ouvir e sentir sua respiração, e eu me sentia o cara mais feliz do planeta. Quando a música acabou, eu disse:

-Acho que agora você prefere ficar sozinha, né?!? Olha, quando você quiser conversar sobre o que te deixou triste, ou falar sobre qualquer outra coisa, pode contar comigo, tá bom?

Quando estava saindo, ela pôs a mão no meu ombro, e ela era suave, leve, como seda.

-Espera, -ela disse- eu....te conto o que me deixou triste.

Sentamos no sofá, ela ainda embaixo do cobertor, mas agora com o rosto um pouco mais erguido, e pude ver que estava úmido e rosado pelo choro e pelas lágrimas.

-Eu fiquei triste pelo que a sua amiga disse...

-Ela falou alguma coisa que você não gostou?

Ela fez que “sim” com a cabeça, e o rosto baixou de novo.

-O que ela te disse? – eu perguntei.

-Ela falou que gosta de você.

-É, mas...como assim?

-É que – ela ergueu de novo o rosto, com o mais lindo sorriso que eu já havia visto – eu também gosto de você!

Senti meu coração bater na garganta e minhas mãos suarem.

-Você gosta de mim? – ela perguntou com a voz vacilante. Só pude responder que sim com a cabeça, as palavras não saiam, talvez pelo coração, que eu ainda sentia bater na garganta.

-Desde quando? – ela perguntou, sorrindo.

-Desde sempre! – respondi com os olhos marejados, vendo lágrimas nos olhos dela também.

Suas mãos, buscando segurança, encontraram as minhas, também trêmulas de emoção. Nossos olhos se fecharam ao mesmo tempo, e nossos lábios ficavam cada vez mais próximos. A valsa recomeçou a tocar, e recomeçamos a dançar enquanto nossos lábios se aproximavam...

E foi então que eu acordei, e decidi contar esse sonho a ela. Nesse dia, eu descobri que sonhar é bom, mas viver na pele é ainda melhor.



Uma Festa sem Cuba-Libre - Paulo Oliveira

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Almas Gêmeas.

Estranho... não sei por que, mas agora pensei em mímicos.
Sei lá, acho que talvez mímicos sejam mais felizes que palhaços. Não, isso não tem nada a ver com o texto, apenas "pensei alto".



Rogério e Marli estão no carro, com Marli ao volante. O sinal fecha e Rogério observa o ônibus que para ao seu lado e divaga:


-Não é irônico? Por exemplo, ali, naquele ônibus, as pessoas que estão nele. Um homem que está nele pode estar ao lado do seu grande amor e não notar porque está ocupado demais olhando pela janela, e ela pode não notar que o homem de sua vida está ao seu lado porque está distraída lendo o jornal! Aquela pessoa que cruzamos na rua e perguntamos as horas, aquelas que estão na nossa frente ou atrás de nós na fila do banco, do correio, da padaria, enfim... Essas pessoas podem ser nossas almas gêmeas, e simplesmente não notamos porque estamos ocupados com outras coisas e às vezes basta um gesto simples, como olhar pro lado pra notá-la, como você, como agora!!

É a primeira vez que te digo isso, mas gosto de você desde, sei lá... Desde sempre! Mas nunca te disse isso, e eu nem sei o porquê não te disse antes, acho que por medo, mas o medo acabou, e eu queria saber se você, se eu tenho chance com você, eu só não quero que isso interfir...

-Desculpa Rô, você falou alguma coisa? Eu tava retocando o batom e não prestei muita atenção...

-Não, não é nada importante não. Olha lá, o sinal abriu...



Almas Gêmeas - Paulo Oliveira